Existe uma fase da vida em que começamos a perceber que talvez não queiramos apenas encontrar um trabalho.
Queremos construir alguma coisa.
Não necessariamente algo enorme.
Não necessariamente algo que faça todo mundo olhar.
Apenas alguma coisa que tenha o nosso nome, as nossas escolhas e um pouco daquilo que imaginamos para o futuro.
Para algumas mulheres, esse desejo aparece cedo. Para outras, demora.
Para mim, ele apareceu na vontade de construir uma marca.
E talvez isso pareça simples quando colocado em uma frase.
Mas começar alguma coisa própria, especialmente quando você vem de uma cidade pequena e não cresceu cercada de grandes oportunidades, é uma experiência muito diferente daquela que aparece nas histórias bonitas de empreendedorismo.
Crescer com pouco também ensina
Quem cresce no interior costuma aprender a aproveitar o que tem.
A gente aprende que nem tudo está disponível imediatamente.
Que algumas coisas exigem espera.
Que, quando você quer alguma coisa, talvez precise encontrar uma maneira de fazer acontecer com os recursos que possui.
Isso pode parecer uma limitação.
Mas também pode ensinar criatividade, paciência e independência.
Talvez seja por isso que eu não veja o fato de ter vindo de uma cidade pequena apenas como algo que me limita.
Ele também faz parte de quem eu sou.
E faz parte da maneira como enxergo aquilo que estou tentando construir.
Existe uma diferença entre trabalhar e construir
Trabalhar é necessário.
Mas existe uma diferença entre cumprir uma função e tentar construir alguma coisa que ainda não existe.
Quando você decide criar um negócio próprio, não existe uma descrição pronta do que precisa fazer.
Você precisa descobrir.
Aprender sobre produto.
Aprender sobre pessoas.
Aprender a vender.
Aprender a comunicar.
Aprender a errar sem transformar cada erro em motivo para abandonar tudo.
E, principalmente, aprender a ter paciência com algo que ainda está pequeno.
Essa talvez seja uma das partes mais difíceis.
Porque vivemos em uma época em que tudo parece acontecer rapidamente.
Uma marca cresce em poucos meses.
Um vídeo viraliza.
Uma pessoa transforma uma ideia em negócio.
E começamos a acreditar que, se não estivermos crescendo rápido, estamos fazendo alguma coisa errada.
Mas talvez não seja assim.
Algumas coisas precisam de tempo para ganhar forma
A Swane ainda está no começo.
E eu gosto de pensar nisso sem tentar esconder.
Ainda estou descobrindo como quero que a marca cresça, quais mulheres quero alcançar e que lugar quero que ela ocupe na vida delas.
Ela começou de uma maneira simples: com peças feitas à mão e uma vontade muito maior do que a estrutura que eu tinha naquele momento.
E talvez seja justamente isso que torne esse começo tão especial.
Ainda existe espaço para experimentar.
Para mudar.
Para aprender.
Para descobrir o que a Swane pode se tornar.
Talvez construir uma vida diferente comece assim
Não acredito que exista uma fórmula para construir uma vida boa.
Para algumas pessoas, ela estará em uma carreira tradicional.
Para outras, em uma empresa.
Para outras, em uma profissão que permita liberdade.
E para algumas de nós, talvez esteja em criar alguma coisa própria.
Não porque o caminho tradicional seja ruim.
Mas porque nem sempre aquilo que é considerado seguro é aquilo que combina com o que queremos para a nossa vida.
Eu ainda estou descobrindo o meu caminho.
A Swane é uma parte dele.
E talvez eu ainda não saiba exatamente onde essa estrada vai chegar.
Mas existe algo bonito em poder olhar para trás daqui a alguns anos e saber que, em algum momento, tive coragem de começar.
Mesmo sem ter todas as respostas.
Mesmo sem saber exatamente como seria.
Apenas com a certeza de que queria tentar.
Porque talvez construir uma vida diferente não comece quando temos tudo.
Talvez comece quando percebemos que não queremos passar a vida inteira esperando ter.
